Recentemente encontrei algumas cenas antigas em meu computador - da época em que eu vivia em Nantes/França - e resolvi juntar com algumas cenas feitas recentemente fazendo assim uma breve mescla de passado e presente. As primeiras imagens (sem música de fundo) foram feitas aqui em Brasília, em Janeiro de 2013 por Manoel, praticante local. Já as imagens noturnas são as antigas e foram filmadas no ano de 2011 durante o outono francês. Essa segunda parte foi filmada toda em uma noite apenas e busquei reproduzir percursos já feitos anteriormente. Tentei pegar uma boa variedade de angulos para encontrar mais opções na hora da edição.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Liberdade é disciplina.
Tenho visto
nos dias de hoje muitas iniciativas relacionadas ao ensino do Parkour,
principalmente em território nacional. E é legal observar que os praticantes
tem se preocupado em transmitir a disciplina às próximas gerações . Eu, como
alguém que também se dedica a esse tipo de ação não posso deixar de contemplar todo
esse movimento sem reparar na forma como ele ocorre. Creio que assim como qualquer outra
atividade, se o Parkour é passado adiante sem um mínimo de responsabilidade e
comprometimento para com a atividade, acaba-se gerando
situações desagradáveis, ou pior, a formação de não apenas praticantes medíocres,
mas também pessoas medíocres.
No Parkour
sempre houve esse discurso sobre liberdade. Não conheço um que não fale sobre
Parkour sem antes falar sobre a sensação de ‘’estar livre’’ que o Parkour
oferece. Eu como a maioria também me sinto livre quando estou praticando, porém
não confundo esse sentimento liberdade com o desleixo. E esse é um ponto super
importante quando estamos falando sobre ensinar Parkour. Pelo contrário do que
muitos pregam, Parkour não é sobre sair por ai sem um mínimo de preparo
buscando fazer coisas mais impressionante que os demais sob o argumento de que ‘’Parkour
é livre’’. Parkour é sobre progressão gradual, disciplina, sobre longetividade.
Muitos instrutores negligenciam algumas dessas etapas que são fundamentais para
o desenvolvimento do praticante. Já vi instrutor aqui no Brasil dizendo abobrinhas
como ‘’Antes do inicio dos treinos a coisa mais importante é saber a diferença
entre Parkour e Free Running’’, ou outros que focam os treinos apenas em saltos
aleatórios, com meia hora de conversa entre eles ignorando totalmente o significado de treino e o prévio condicionamento físico
necessário para aquele salto.
Não
acredito em um Parkour livre que não seja um Parkour que envolva disciplina, perseverança,
respeito a si próprio e a seu corpo, nem acredito em uma aula de Parkour que
não envolva esses aspectos. Não acredito nesse conceito de liberdade que envolva
graves lesões ou mesmo lesões crônicas que forcem o praticante a abandonar sua
prática com poucos anos de treino. E mais, não acredito nessa liberdade que
faça com que os praticantes se rivalizem ou mesmo se desrespeitem entre si ou
para com a sociedade que os cerca.
Para mim, um
verdadeiro praticante de Parkour é aquele que sabe de suas limitações físicas,
nem por um minuto brinca com elas por mero prazer ou para mostrar superioridade
aos demais. Ele sabe como deve se portar perante a sociedade, reconhece que se
quer que alguém o respeite, primeiro deve respeitar. É firme em suas decisões e
não decide fazer um salto sem saber que é capaz de faze-lo. É alguém que preza
não só pela força física, mas pela força mental e para isso o praticante se
desafia a todo momento, ele planeja, faz metas e tem foco. Quem pratica o
verdadeiro Parkour sabe que não existe treino com começo, meio e fim, o treino
é a todo momento, seja de uma forma ou de outra, ele está sempre preparado. Ele
não espera alguém lhe dizer o que é preciso fazer, ele mesmo sabe oque deve ser
feito e não exita em se colocar em ação. Mais importante que tudo, ele sabe que
a vida é um bem precioso, então ele a valoriza e com isso passa a valorizar a
si mesmo.
Essas
qualidades que acredito que um praticante deva ter são fundamentais para
aqueles que pensam em passar o Parkour adiante. Ensinar Parkour não é sobre
ensinar alguns movimentos ou brincadeiras, nem mesmo sobre passar algumas
flexões, outras tantas precisões e finalizar o treino. Ensinar Parkour é mostrar
um caminho para guerreiros, uma maneira de pensar e agir. É mostrar um caminho
de difícil acesso mas com grandes recompensas. É mostrar que não há aprendizado
sem a doação por completo naquilo que está sendo praticado. Não é possível ser
um bom instrutor sem antes ser um bom praticante, e é por isso que me preocupo quando
vejo instrutores querendo ensinar o caminho das pedras sem mesmo antes ter
passado por lá. Pior que enganar outras pessoas é enganar a si mesmo, e isso
agente aprende no próprio treino de Parkour. Ali é um terreno onde não é possível
se esconder, ou é ou não é, ou 8 ou 80. Um bom instrutor de Parkour se revela
mais nas coisas que ele faz, não nas que ele diz. Não digo que um instrutor
deve fazer 5000 agaixamentos ou um salto super incrivel para ser bom, mas que ele deve buscar
ser um exemplo a todo momento, ser fiél ao caminho escolhido. Ser o primeiro a
se colocar de pé quando todos já estiverem caídos, estimular os demais e
continuarem. Ser o último a beber água e o primeiro e estar pronto para continuar.
Ser um
instrutor de Parkour é uma grande responsabilidade e só é possível assumir esse
papel se você antes assume que você tem realmente algo de valor a ser passado. É
preciso até mesmo saber parar de exercer esse papel quando necessário, pois nem
sempre temos todas as respostas. Ensinar Parkour não é apenas ensinar um método
de se movimentar, é mostrar um método para a vida.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Ser forte para não ser tão útil.
Durante
minha vida tive a oportunidade de conhecer e me envolver com pessoas de
diferentes nichos sociais. Desde aqueles com muitos recursos até aqueles que
lutam para viver com o pouco que tem. Dentro da esfera do Parkour nunca foi tão
diferente, há os que têm muito e os que têm pouco. Porém constato aqueles que
fazem muito com a pouca habilidade que possuem, também aqueles que não
conseguem encontrar uma utilidade com toda a força e técnica que lhes sobram.
Quem me
conhece sabe que sempre enalteci o termo ‘’Ser forte para ser útil’’, até mesmo
quando eu ainda não entendia bem seu significado e o interpretava de forma errônea. Me lembro que no inicio esse termo me servia
de combustível para sempre estar treinando de forma mais intensa. Acreditava
que em algum momento aleatório todo esse ganho físico e mental poderia me
servir para algo construtivo. Mesmo assim ainda não conseguia visualizar a real
utilidade para treinar tanto, simplesmente o fazia.
A verdade é
que eu tinha sede por descobrir tudo aquilo que eu poderia fazer com meu corpo
dentro da atividade e isso alimentava meu desejo por treinos de repetições. Não
havia sentido ir para um treino, fazer alguns saltos, algumas subidas de muro e
voltar para casa. Para mim não era um treino se não houvesse um foco em algo
que me fizesse gastar horas apenas moldando aquele determinado movimento, ou
determinada técnica. Por muitas vezes passei do meu limite, não me respeitei, vieram dores crônicas, stress muscular, distenções e até hoje meu corpo paga por alguns desses treinos que fiz. Mesmo assim eu continuava me questionando e tentando
encontrar uma real utilidade na minha vida para eu estar fazendo todo aquele
esforço.
Não faz
tanto tempo que minha visão sobre isso começou a clarear um pouco e tive
algumas conclusões a respeito desse tema. Quando eu ainda vivia na França eu
via uma real necessidade de falar o idioma francês pois se eu não aprendesse iria
realmente passar muitas dificuldades. Me vi em uma situação sem muita escolha. Eu
nunca escolhi aprender esse idioma, ele um dia simplesmente bateu a minha porta
e falou que teria que entrar de qualquer forma. Naquele período acabei me
desenvolvendo através desse novo idioma com a ajuda da minha esposa, com isso passei
a me comunicar naturalmente com a população local facilitando minha adaptação.
Quando voltei ao Brasil no ano passado, decidido a me estabelecer por aqui, simplesmente
deixei o francês de lado. Não é mais uma necessidade, não é mais tão útil para
minha vida como era antes. Contudo, ainda consigo praticar um pouco com minha
esposa às vezes, de certa forma é um pouco inevitável pelo fato de essa ser a lingua materna dela.
![]() |
| Homem forte ? |
![]() |
| Homem forte . |
Depois que
comecei a agir de forma realmente útil na minha vida sinto que muitas coisas
mudaram, inclusive meu porte físico. Menos massa muscular, mais resistência.
Sinto que tenho aprendido a treinar de uma forma um pouco mais inteligente que
antigamente, mas claro, sem deixar o espirito guerreiro de lado. Penso que se puxar e se desafiar é fundamental para a mente e para o espírito e por isso ainda crio treinos com repetições, desafios envolvendo saltos, ainda treino para ter força e explosão, mas sinto que hoje não
passo do ponto em que acho realmente necessário para meu corpo e para minha
vida. Não faço esses treinos por fazer, nem a todo momento, eu penso no que realmente é importante para mim antes de entrar em cena. Depois que comecei a dar aulas de Parkour aqui em Brasília sinto a
necessidade de passar uma visão de Parkour mais ampla, menos elitista, menos
engessada e mais funcional. Quero que cada um que venha aprender Parkour
comigo, aprenda primeiro a saber sobre si mesmo e suas limitações. Não quero
ser sempre a pessoa que irá dize-los em que momento parar e até onde devem ir,
quero que cada um deles aprenda a se guiar dentro da prática e descobrir seu suficiente.
Afinal, o Parkour não é nada mais que isso, a descoberta da autonomia ou a auto-descoberta.
Eu concordo
que tudo é um processo natural e que as coisas acontecem em seu determinado
tempo. Quando eu iniciei meus treinos, por exemplo, não tinha nenhuma idéia
disso tudo e só queria ser bruto, sem uma razão clara para isso. Mas nunca
deixei de me perguntar ‘’Para que isso tudo realmente me serve?``. As vezes observo praticantes já com muitos
anos de treino nas costas que não conseguem utilizar essa experiência para construir
algo realmente útil em suas vidas. A falta de questionamento e de iniciativas
úteis fazem com que muito potencial seja simplesmente jogado ao ralo. Por um outro
lado observo muitos praticantes com pouco tempo de treino, pouco desenvolvimento
dentro da atividade, mas que já encontraram um propósito ou uma utilidade. Sabem aplicar o pouco que tem em suas vidas e desenvolvem boas idéias.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Parkour Kids Brasília
Recentemente produzi uma rápida chamada em video para as aulas de Parkour infantil aqui em Brasília.Tem sido uma experiência incrivel lidar com esses pequenos através do Parkour. É realmente instigante perceber o desbloqueio mental que eles possuem para efetuar movimentos do Parkour. Penso que se toda criança fosse estimulada desde criança a saltar, escalar, correr, rolar, efetuar movimentos naturais que começam a florecer em seus corpos, talvez viveriamos uma sociedade onde o medo não estivesse presente de forma intensa como é hoje. Fica ai a dica.
Assinar:
Postagens (Atom)



