quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

1000 +1 muscle-ups (planches).


Há alguns anos, vivendo em Londres, fui convidado pelo pessoal da Parkour Generations a participar de um desafio : Fazer  1000 muscles-ups (planches) em um período de 24 horas. Confesso que de cara fiquei super instigado com o desafio e confirmei minha presença sem pensar 2 vezes.  Mas por razão de alguns contra-tempos, acabei desistindo na véspera e passei a carregar essa dívida pessoal desde então. Entretanto, é um débito que já tem data para quitação, dia 23 de dezembro de 2012.


Me lembro até hoje de minha primeira grande série de planches, foram 100 deles, feitas no parque aqui de Brasília em uma manhã de sábado, a uns 7 anos atrás. Eu era um simples iniciante juvenil e ainda batalhava para conseguir fazer 2 planches consecutivos. Mesmo fritanto sob o sol do cerrado, consegui terminar todas as 100 repetições em algumas horas. Me recordo de ter saído como um guerreiro que sobrevive ao campo de batalha, com as mão esfoladas mas com a moral blindada. Hoje, me encontro na missão de ter que fazer 10 vezes a mesma quantia daquele dia, porém em um período de 24 horas. Talvez a única coisa em comum com aquela minha ‘’primeira vez’’ seja o fato de eu também hoje me sentir como iniciante juvenil encarando seu primeiro grande desafio. É aquela mesma sensação de não saber bem o que vem pela frente, mas de saber que será algo grande.


Cofesso eu, não estar em minha melhor forma quando falamos de muscle-ups (planches). Me sinto um pouco distante daquela forma física em que me permitia fazer séries de duas dezenas de planches sem muitos problemas. Era uma época em que fazer um planche reto, sem dobrar muito os braços e levando a barra direto na região genital era quase que uma obrigação para aquilo poder ser chamado de planche. Contudo, hoje me encontro com uma boa condição física sim, os planches saem naturalmente mas talvez sem a mesma explosão de antigamente. Mesmo assim, me dou conta que todos esses anos de treinamento me deram algo que naquela época eu ainda não tinha, a experiência.


Conversando com pessoas que estiveram em Londres naquele dia dos 1000 planches, me lembrei de que a força mental é crucial para completar grandes desafios como esse. Quando penso nisso tenho alguns ‘’flashbacks’’ dos treinamentos duros que já participei, daquelas vozes me dizendo “Keep going Pedro, keep going’’ ou ‘’Aller, aller, aller, ce n’est pas fini’’. Consigo me lembrar bem daquela sensação de achar que não é mais possível continuar, porém, pouco a pouco depois ir descobrindo que é possivel ir muito mais além. É um terreno onde muitos pisam, mas onde apenas os que demonstram a verdadeira força interior conseguem permanecer. E é por esse fato que não estou fazendo  treinamentos super incríveis  para ficar mais forte antes do desafio, pois sei que a batalha maior será dentro da minha cabeça.

Entretanto, tenho me preparado sim, tenho feito séries de 100 e 200 planches. Nesse próximo final de semana faltará apenas uma semana para o desafio e pretendo completar 300 planches em 3 horas. Creio que esse desafio em proporções menores me dará uma noção maior de como será o dia do desafio principal. Antes de fechar esse post quero deixar claro que minha pretensão é de fazer 1000 + 1 planches, o último planche pretendo dedicar a todos os que não puderam participar, os outros 1000 serão para todos os que vão estar guerreando junto comigo, seja lá em qual parte do Brasil. Tenho em mente que isso será algo feito em grupo, e que quando eu pensar em todos os guerreiros que estarão em campo de batalha tenho certeza que isso vai me ajudar a não desistir. Sem mais, bons treinos a todos.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Uma nova etapa

          Hoje quando falamos sobre Parkour, talvez já não pensemos tanto em indivíduos saltando prédios e fazendo coisas super impressionantes como antigamente. Talvez muitos curiosos ou leigos ainda mantém essa imagem em mente. Porém, aqueles que decidem buscar apenas um pouco mais de informação acabam descobrindo sem muito esforço que o Parkour é uma atividade muito ampla, que tem se tornado popular e mais acessível a cada dia que passa. E sem dúvidas, todos aqueles que tem desenvolvido projetos voltados a divulgação da prática, sejam novos ou velhos praticantes, tem grande responsabilidade nessa transformação.


          Já não é mais possível contar nos dedos se formos citar todos os grupos, instituições ou indivíduos que se dedicam ao ensino e a divulgação da prática de forma responsável e profissional. Quando penso nisso tenho até um pouco de arrepios, pois me dou conta de que realmente o Parkour é um fenômeno que se espalhou rapidamente pelos quatro cantos do mundo. Claro que não devemos levar em consideração tudo que vemos por ai, pois como já diria o dito popular “nem tudo que reluz é ouro”, e como um bom trabalho não é feito apenas de boas intenções ainda é possível encontrar muitas pessoas despreparadas quando nos referimos a transmissão do Parkour.



          Apesar dos pesares, vejo com muito bons olhos a maneira de interpretar e transmitir o Parkour de grande parte dos praticantes do cenário atual. Mesmo que se multipliquem os campeonatos de Parkour, mesmo que para alguns o Parkour seja apenas saltar longe ou mesmo que muitos ainda insistam em não se preocupar muito com condicionamento físico, ainda vejo tantos outros que se preocupam e se dedicam para não apenas aprender o Parkour, mas para serem indivíduos fortes, tanto fisicamente quando mentalmente. Vejo uma família crescendo já em proporção global, crianças, jovens, adultos, homens, mulheres, todos em busca de, auto-conhecimento, força interior, amor. Pude ver e absorver isso de maneira muito forte no tempo em que estive vivendo na França em treinamento junto aos Yamakasi. Toda essa energia de treino, amizade e busca em comum por parte dos praticantes por la é chamado de ‘’Espirit Yamak’’, ou Espirito Yamakasi. 



          Inspirado por toda essa energia benéfica que o Parkour me oferece até hoje, iniciei um projeto aqui em Brasília já faz algumas semanas, onde me dedico a transmitir o Parkour a quem tenha o interesse em descobrir. Bom ou ruim, já sinto o peso da responsabilidade em passar adiante tudo aquilo que aprendi durante todos esses anos de prática e aprendizado. Ao mesmo tempo vejo uma grande oportunidade de compartilhar não só oque sei sobre o Parkour, mas mostrar um pouco de mim a outras pessoas, dando também liberdade para que elas mostrem um pouco delas, possibilitando um crescimento mútuo. Quando observo como tem ido a prática em diversos pontos do mundo, sinto uma nova etapa se iniciando para o Parkour, pois acredito fielmente no trabalho dessa galera que tem mantido acesa a chama, e passado adiante a mensagem de nossa prática .


          Mas é também uma nova etapa para mim e para esse Blog. Tenho planos de estar postando algo por aqui pelo menos uma vez por semana e continuar comentando um pouco sobre minhas novas vivências e observações dentro da prática. Deixo aqui o link de facebook para quem tenha o interesse em conhecer meu novo trabalho com o Parkour em Brasília e também um vídeo no qual me motivou a estar escrevendo esse pensamento . É um trabalho desenvolvido por Laurent Piemontesi, integrante do grupo Yamakasi e praticante por mais de 20 anos, alguém com quem aprendi muito e a quem tenho grande admiração. Até breve e bons treinos.

link 1 - http://www.facebook.com/aulasdeparkourbrasilia
link 2 - http://www.youtube.com/watch?v=uGT0Cpcz7kE&feature=g-all

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A 308 e seu legado.


Todos os que já se aventuraram pelo mundo do Parkour alguma vez, sabem a importância que um determinado lugar ou ambiente da a um treinamento. Bom, no meu caso, toda vez que penso em um lugar de treino, a primeira coisa que me vem à cabeça é um pico chamado 308 sul, localizado na minha cidade, Brasília.

Desde a primeira vez que pisei na 308 com o intuito de treinar, logo senti que ali havia algo de especial. Talvez agora que não estou vivendo mais em Brasília, mas apenas passando as férias, eu perceba isso com mais clareza. Mesmo que seja uma região com uma característica mais plana, sem grandes alturas e grandes desafios aos olhos de todos, é um ambiente que transmite uma paz impressionante quando se está treinando, e isso estando no coração de Brasília.

É verdade que toda a cidade de Brasília é repleta de lugares que transmitem uma tranqüilidade e oferecem uma arquitetura propicia ao Parkour, talvez tudo isso esteja muito relacionado também a quantidade de árvores e verde que existe por toda a cidade, também aos grandes espaços. Mas também não posso negar que a 308 foi uma região que se destacou entre todas as outras quando falamos do Parkour Candango. Nunca deixei de ter certeza que a relação do Parkour com a 308 cumpre o propósito dos idealizadores desse lugar, mas talvez não da forma que imaginavam.

Na Europa vi picos incríveis, repletos de muros, e passarelas de todas as formas, ambientes que ao olhar você poderia ter a certeza que foi feito especialmente para praticar o Parkour. Mas agora, ao voltar a minha cidade e reencontrar a 308, posso dizer que ela para mim é o melhor lugar para se treinar Parkour no mundo. Talvez as pessoas pudessem me xingar agora por eu dizer isso, e até mesmo argumentarem citando alguns picos famosos do Parkour, como a Dame Du Lac em Lisses, a cidade de Evry, ou até mesmo picos famosos na Inglaterra. Mas para mim a 308 continuaria sendo o melhor lugar para treinar.

Lembro até hoje de meus primeiros movimentos naquelas árvores tortuosas que parecem ter sido milimetricamente feitas para nós praticantes de Parkour. Não faltam alternativas de movimentação, tanto que até hoje praticantes criam novas possibilidades quando todos acham que já não há mais nada a se criar. Lembro bem de meus primeiros saltos mortais saindo dos cogumelos de concreto e aterrissando naquela areia não muito macia. Me lembro bem das infindáveis repetições e desafios naqueles muros que parecem mais terem sido feitos por cacos de vidro, mas que forjam mãos incrivelmente fortes e resistentes para a prática do Parkour. Canteiros de concreto que mesmo sem muita altura, te oferecem diversas opções de distancia para um salto de precisão . Não poderia deixar de citar a Escola de Jardim de Infância situada no meio da quadra. Os que já subiram na laje, sabem que ali se pode passar o dia todo treinando sem descer (Mas cuidado com o zelador, ás vezes ele está por lá e nem sempre ele está de bom humor). Os mais sabidos sobem lá apenas em dia de domingo.


Não poderia me esquecer do movimento de pessoas que existe ali. Normalmente gente alternativa que gosta de passar um tempo abaixo das arvores sem fazer nada, fumando ou bebendo. Outros que vão ali só para fazerem necessidades atrás de uma moita, assim tornando um local não sempre com um bom cheiro. Eu e meus amigos costumamos dizer que quem treina na 308 está preparado para tudo, até mesmo para doenças, já que convivemos sempre com essa sujeira humana e nunca pegamos nenhuma doença. Mas posso admitir que a 308 tem estado mais limpa e mais bem freqüentada, pelo menos nas ultimas vezes que estive lá. Já me aconteceram coisas bem marcantes em relação a isso, como ter que levar pontos no braço por conta de um corte que sofri ao cair em cima de um vidro deixado por la, ou escalar uma árvore e perceber que ao tocar um tronco, havia tocado também em um coco humano por ali.

Bom, eu poderia ficar aqui contando muitas histórias e falando o quanto a 308 é especial para mim. Posso dizer que foi principalmente ali que o velho Pedro foi morrendo aos poucos, e um novo Pedro começou a nascer, ou melhor, foi ali que comecei a conhecer quem realmente é o Pedro. Mas tenho certeza que nada disso que falei até agora teria sentido se não houvesse as pessoas com quem compartilhei todos esses momentos genuínos, e que hoje são todos meus amigos. Os risos, os desafios, os treinos mais sérios, os não tão sérios, até mesmo os nada sérios. Ali pude compartilhar uma amizade verdadeira com muitos, uma amizade sem interesses, sem intrigas e problemas, apenas a paixão pelo movimento e pela vida. Ali era nosso local sagrado, nosso refúgio de um dia-dia cheio de problemas. Talvez seja por isso que os considero todos eles meus amigos, mesmo sem as vezes conviver muito fora daquele momento de treino. E isso porque sei que para 308 não levávamos problemas e negatividade, levávamos apenas nós mesmos, e por isso acabávamos compartilhando apenas momentos verdadeiros e evoluíamos juntos.

Bom, a razão inicial desse texto talvez seja a minha vontade de que esse espírito continue por lá, mesmo no dia em que nenhum de nós estivermos mais presentes. Gostaria de encorajar a todos os que estão começando a treinar por lá agora, que saibam oque esse lugar representa para muitos que treinaram ou treinam ainda por lá. E mesmo que se um dia a 308 não exista mais, que se lembrem do espírito de amizade e alegria mas também de treino e evolução que um dia existiu no Parkour de Brasília.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

EMPK 2011 em Paris.

Recentemente foi realizado em Belo Horizonte, o 5° Encontro Mineiro de Parkour. Esse evento sempre demonstrou de fato a grande competencia e engajamento do grupo PKMAX em
relação a nossa atividade.

Esse ano a idéia foi trazer 2 dos fundadores Yamakasi, grupo francês que deu origem a disiplina que conhecemos hoje como Arte do Deslocamento.

Para realizar o evento, o PKMAX precisou contar com a colaboração de toda a comunidade brasileira para financiar-lo. E posso dizer que essa espera nao foi em vão. A comunidade respondeu, e respondeu a altura. Ultillizando o site do Cartase foi possivel reunir todas as contribuiçoes vindas de todas as partes do pais, e, ao final, obter quantia suficiente para realizar o evento. Se pode ver exatamente como funciona esse sistema de contribuiçoes na propria pagina do evento.

Bom, a verdade é que me deu muita vontade de também participar desse evento, ainda mais estando longe do Brasil. Dessa vez realmente ficou dificil de a minha participação la em BH acontecer. Entao logo me veio uma idéia de talvez poder participar de uma forma um pouco diferente.

Decidi que iria realizar um treino aqui em Paris, no mesmo dia do evento realizado em BH. Pensei que talvez mesmo estando sozinho eu poderia fazer algo. Entao montei um treino bem puxado pro dia. Eu sabia que estaria dificil para mim, ainda mais sabendo que eu vinha de uma semana de muitos treinos e estava com meu corpo ja "pedindo arrego". Mas quando me vinha esse desanimo eu logo ja pensava que não estava fazendo isso para mim, e sim para todos os meus amigos no Brasil que estariam sofrendo tambem la no Encontro Mineiro.

Quando começei o treino eram 10 horas da manha, porém o sol estava forte, sem nenhuma nuvem no ceu. Me fez muito lembrar de Brasilia em dias de calor. Parece que tudo vinha para me desanimar e me fazer desistir. Mas mesmo assim eu mantinha o foco e pensava apenas no proposito principal.

Normalmente quando faço treinos fisicos, sempre costumo fazer series com um determinado numero e + 1 repetiçao para dedicar a alguem, seja algum amigo ou familia, ou mesmo algum amigo que não pode estar presente no treino. Mas nesse dia fiz um pouco diferente. Decidi fazer todas as series dedicadas ao meus amigos do EMPK em BH e +1 repetiçao de cada exercicio para mim mesmo. Porque na realidade eram meus amigos que iriam precisar de força la no evento, e eu, ja vinha de dias com treinos muito intensos, e nao precisava de tanto para mim mesmo. Essa foi a forma que encontrei de talvez doar minha energia para todos que iriam estar la suando e sofrendo, mesmo estando bem distante.

Bom, eu decidi filmar tudo, e recentemente editei o video que mostra basicamente como foi esse treinamento.

Espero que todos tenham aproveitado da melhor forma, e que esse encontro tenha servido para bons aprendizados, mesmo que nao estejam ligados exatamente a como saltar ou escalar melhor.

Um abraço, mantenham-se fortes e comam açai.